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Desafio da NASA testa projetos de rodas para a mobilidade em uma base lunar

Engenheiros da NASA, estudantes da NASA Robotics Academy e equipes do Rock and Roll with NASA Challenge posam com os protótipos das rodas no Rock Yard do NASA’s Johnson Space Center, em Houston, em 31 de julho de 2026.

Enquanto a NASA se prepara para estabelecer a Moon Base, o avanço da mobilidade na superfície será essencial para ajudar tripulações e sistemas robóticos a viajar mais longe pela superfície lunar.

Para ajudar a desenvolver essa capacidade, o Rock and Roll with NASA Challenge convidou inovadores do público a projetar e construir rodas de rover lunar de próxima geração.

Cinco equipes, entre 128 inscrições de 49 países, avançaram para a fase final da competição, na qual testaram seus protótipos em 31 de julho no Johnson Space Center da NASA, em Houston.

O protótipo da roda lunar Huff Helo é testado no Rock Yard do Johnson Space Center. — Crédito: NASA/Luna Posadas Nava

O desafio buscava rodas leves, duráveis e escaláveis, capazes de apoiar operações de maior duração na superfície lunar. Os projetos também precisavam ser suficientemente flexíveis para absorver impactos, manter a tração em velocidades mais altas e resistir ao ambiente lunar hostil.

“Cada quilômetro adicional que um rover puder percorrer com confiabilidade ampliará o quanto podemos explorar, a ciência que podemos realizar e a infraestrutura que podemos construir”, disse Ed Herrera, engenheiro de robótica do Johnson e um dos líderes do projeto do desafio.

O NASA Johnson utiliza protótipos terrestres para testar tecnologias de mobilidade, enquanto veículos de terreno lunar serão entregues à superfície lunar por meio da iniciativa Commercial Lunar Payload Services. Para o desafio, as rodas foram instaladas no MicroChariot, um rover de teste de 45 quilogramas, e submetidas a uma série de percursos no Rock Yard do Johnson para avaliar seu desempenho em diferentes tipos de terreno.

Estudantes da NASA Robotics Academy conduzem o protótipo da roda lunar Scotch Pad Tyres, instalado no rover MicroChariot, no Rock Yard do Johnson. — Crédito: NASA/Luna Posadas Nava
“O crowdsourcing nos dá a oportunidade de ir além das abordagens tradicionais para o projeto de rodas lunares”, disse Herrera. “Quanto mais tecnologias de rodas pudermos desenvolver e compreender, mais opções teremos para atender às necessidades de diferentes veículos, terrenos e missões na Lua e em Marte.”
— Essas ideias se refletiram em cinco projetos claramente diferentes.

A HTR Variable Flex Lunar Wheel, criada pela Hellenic Technology of Robotics SA, utiliza um sistema interno projetado para variar a rigidez da roda de acordo com o terreno e as necessidades do veículo. A equipe adaptou uma tecnologia que vinha desenvolvendo para rodas terrestres havia cerca de uma década.

A Hiper Wheel, criada pela Hyperbola, utiliza cabos tensionados e uma estrutura corrugada que proporciona um comportamento semelhante ao de uma mola, permitindo que a roda se flexione sem depender de raios radiais tradicionais.

A Huff Helo Flexible Titanium Wheel, criada pela Huff Helo Inc., utiliza uma chapa de titânio moldada tanto como estrutura quanto como mola. Durante os testes, a equipe descobriu que a resistência do projeto também tornava a roda mais rígida, fazendo com que ela saltasse sobre alguns obstáculos em vez de se adaptar ao terreno.

A Payne Aviation Wheel, criada por Deborah e Craige Payne, buscou inspiração na aviação e na história. Sua projetista, uma mecânica de aeronaves, combinou uma abordagem pneumática com ideias dos primeiros projetos de pneus de automóveis.

A equipe vencedora do Scotch Pad Tyres posa com seu protótipo e o MicroChariot no Rock Yard do Johnson. — Crédito: NASA/Luna Posadas Nava

O conceito vencedor, Scotch Pad Tyres, foi criado pelo engenheiro mecânico australiano Daniel Bloomfield e seu filho, Isaac Bloomfield. O protótipo utiliza uma estrutura de pneu à base de Nomex apoiada ao redor de um cubo de alumínio. O material macio permite que o pneu se deforme ao redor do terreno, enquanto o suporte interno ajuda a manter seu formato. Uma superfície externa tratada com epóxi e granulado de coríndon foi integrada para melhorar a tração.

Os testes no Rock Yard também demonstraram por que diferentes terrenos podem exigir abordagens diferentes. Material solto pode afetar a tração, enquanto rochas e inclinações impõem exigências distintas às rodas, como a estabilidade do veículo.

O protótipo HTR Variable Flex Lunar Wheel fica ao lado do Space Exploration Vehicle da NASA no Rock Yard do Johnson. — Crédito: NASA/Luna Posadas Nava

À medida que a exploração lunar se expande, diferentes veículos exigirão combinações distintas de velocidade, capacidade de carga, durabilidade e desempenho em diferentes terrenos.

Buscar essa variedade fazia parte do projeto do desafio. As opções de projeto ofereceram aos engenheiros diferentes tecnologias a considerar e potencialmente aperfeiçoar.

“Este desafio trouxe novas ideias de fora das indústrias tradicionais e nos ajudou a identificar tecnologias de rodas que podem ser adequadas para operações de maior duração na superfície”, disse Lucien Junkin, engenheiro de robótica do Johnson e um dos líderes do projeto do desafio.

A próxima fase poderá avaliar como as rodas respondem à poeira semelhante à lunar, ao vácuo e a temperaturas extremas nas câmaras de vácuo térmico do Johnson. Os engenheiros também poderão avaliar os projetos em distâncias maiores e com diferentes tamanhos e cargas.

“A mobilidade é essencial para tudo o que queremos fazer na Lua”, disse Junkin. “Quanto mais longe quisermos explorar, mais precisaremos avançar as tecnologias de rodas capazes de nos levar até lá.”

O Common Robotics Project, da Robotic Systems Technology Branch, dentro da Engineering Directorate do Johnson, conduziu o Rock and Roll with NASA Challenge. O Center of Excellence for Collaborative Innovation da NASA, parte do Prizes, Challenges, and Crowdsourcing Program da Research and Technology Mission Directorate, administrou o contrato do desafio. Estudantes da NASA’s Robotics Academy ajudaram a preparar o hardware e a dar suporte à competição, enquanto engenheiros do NASA’s Glenn Research Center, em Cleveland, apoiaram as avaliações dos conceitos e das propostas. A HeroX administrou o desafio em nome da NASA.