
Há cinco anos, Gavin Gardner era estudante de engenharia na Michigan State University e pesquisava tecnologias de drones de próxima geração como parte de uma bolsa da NASA. Gardner esperava que a pesquisa fosse exigente, mas ficou surpreso ao descobrir que lidar com o lado financeiro do trabalho apresentava um desafio ainda maior.
Embora estivesse acostumado a liderar colegas em um laboratório, ele e sua equipe eram completamente inexperientes em tarefas como elaborar orçamentos, administrar grandes quantias de dinheiro e divulgar o trabalho para arrecadar fundos coletivamente.
É por isso que demonstrar habilidades tanto de engenharia quanto de empreendedorismo é um dos pilares do University Student Research Challenge (USRC), da NASA, uma iniciativa que oferece bolsas a equipes de estudantes universitários interessados em ajudar a agência a alcançar seus objetivos de pesquisa aeronáutica.
“Metade do desafio é construir o produto”, disse Gardner recentemente. “A outra metade é vender o produto de um jeito que todos consigam entender o que você está fazendo, sem falar de uma maneira muito técnica, típica de engenharia.”
Esperamos que todas as equipes que participam do programa percebam, como Gavin, que podem crescer do ponto de vista técnico e empreendedor e usar essa oportunidade como plataforma de lançamento para suas próprias carreiras inovadoras.
STEVEN HOLZ
Gerente do NASA USRC
Gardner e seus colegas da Michigan State que participaram do USRC continuam aplicando essas lições hoje, como profissionais do setor aeroespacial. Em 2024, eles fundaram a própria empresa, a AG3 Labs, especializada em drones para exercícios de treinamento militar.
“Não acho que eu desmereceria nossa competência técnica, que nos trouxe até onde estamos hoje, mas sei que o USRC foi um propulsor que realmente acelerou nossa trajetória quando éramos tão jovens”, disse Gardner.
Steven Holz, gerente do NASA USRC, afirmou que a experiência de Gardner mostra o que os estudantes podem realizar quando recebem tanto uma bolsa quanto orientação — contribuindo para formar a força de trabalho do futuro e para o setor da aviação.
“Temos orgulho de ver o sucesso dos ex-participantes do USRC”, disse Holz. “Esperamos que todas as equipes que participam do programa percebam, como Gavin, que podem crescer do ponto de vista técnico e empreendedor e usar essa oportunidade como plataforma de lançamento para suas próprias carreiras inovadoras.”
Trajetória de pesquisa
A trajetória de Gardner até a criação da própria empresa começou com uma viagem ao Space Camp, quando ele ainda estava no ensino fundamental. Foi ali que começou a perceber que queria ser engenheiro.
Seu irmão, Gryson Gardner, também se interessou por engenharia, e os dois frequentemente passavam o tempo na garagem da família, em Michigan, mexendo em diferentes equipamentos, incluindo drones e kits eletrônicos.
Quando chegou à Michigan State, Gardner procurou atividades extracurriculares e encontrou um grupo dedicado ao hobby dos drones, cada vez mais popular. Ele ganhou experiência prática com a fabricação e a operação de drones.
Em 2021, Gardner recebeu um e-mail de um amigo que lhe contou que a equipe havia acabado de receber uma bolsa do NASA USRC para uma iniciativa chamada Aerial Intra-city Delivery Electric Drones (AIDED) e precisava de ajuda para construir um novo drone.
“Tivemos a ideia de que, em vez de atravessar a cidade inteira voando, por que um drone não poderia pegar carona em um ônibus urbano, como todo mundo?”, disse Gardner.
A ideia era que um drone de carga decolasse, acoplasse no teto de um meio de transporte público, como um ônibus, carregasse suas baterias durante o trajeto e depois decolasse para completar a última etapa da entrega. A equipe construiu e fez voar um drone em escala real para comprovar a ideia, mas decidiu não levar adiante um empreendimento comercial.
“O mercado de drones comerciais nos assustou um pouco, por causa da grande quantidade de regulamentações envolvidas na operação de uma ideia tão inovadora, que incluía voar sobre pessoas em uma cidade densamente povoada”, disse Gardner.
Mas a demonstração de competência técnica e confiança da equipe levou a uma segunda bolsa do NASA USRC, em 2023: o Laser Energized Aerial Drone System (LEADS), que se concentrou no uso de um laser para transferir energia diretamente a um drone em voo.
Durante o trabalho no LEADS, que resultou no voo de um protótipo, a rede de contatos de Gardner na comunidade de drones se expandiu e passou a incluir funcionários da NASA no Glenn Research Center, em Cleveland. Eles o informaram sobre oportunidades de estágio, às quais ele se candidatou e foi aceito enquanto cursava a pós-graduação.

Desafio estudantil abre caminho para novas oportunidades
Com a conclusão do mestrado prevista para a primavera de 2025, Gardner tomou, no fim de 2024, os primeiros passos para fundar a AG3 Labs junto com o irmão e outros ex-participantes do USRC. A ideia surgiu depois que um amigo sugeriu que as Forças Armadas poderiam usar drones de baixo custo para testar sistemas eficazes de combate a drones.
Um primeiro contrato com o Exército dos EUA levou a outros contratos, permitindo que a empresa ampliasse e acelerasse suas operações. Hoje, sua capacidade de produção permite fabricar milhares de drones por mês.
Gardner atribui à experiência com o USRC, especialmente ao aprendizado sobre o lado empresarial da gestão de uma operação técnica, parte das oportunidades que ajudaram ele e sua equipe a alcançar o sucesso atual.