
Esta matéria é uma atualização do conteúdo sobre o gelo marinho antártico da nossa série World of Change, que acompanha mudanças de longo prazo na superfície da Terra por meio de imagens de satélite.
Diferentemente do Ártico — uma bacia oceânica cercada por terra —, a Antártica é um grande continente cercado por um oceano. Por causa dessa geografia, o gelo marinho tem mais espaço para se expandir durante o inverno. No entanto, esse gelo também se estende até latitudes mais quentes, o que provoca mais derretimento no verão. O gelo marinho antártico geralmente atinge sua extensão máxima em setembro, próximo ao fim do inverno no Hemisfério Sul, e recua até atingir um mínimo em fevereiro.
Segundo a NASA e o National Snow and Ice Data Center (NSIDC), o gelo marinho antártico em 2026 provavelmente atingiu sua extensão máxima anual em 14 de setembro (acima). Nessa data, o gelo cobria uma área estimada de 17,59 milhões de quilômetros quadrados (6,79 milhões de milhas quadradas), tornando esse o terceiro menor máximo já registrado.
Os mapas abaixo mostram a concentração média do gelo marinho antártico no mês de setembro (à esquerda) e no fevereiro seguinte (à direita), de 1990 a 2026. As áreas brancas opacas indicam as maiores concentrações, e as áreas em azul-escuro são águas abertas. As imagens incluem apenas áreas onde a concentração de gelo era de pelo menos 15%, um limite que os cientistas costumam usar para considerar uma área coberta por gelo nos dados de satélite. Os cientistas chamam a área total dessas regiões de “extensão do gelo marinho”.

1990-1991

1991-1992

1992-1993

1993-1994

1994-1995

1995-1996

1996-1997

1997-1998

1998-1999

1999-2000

2000-2001

2001-2002

2002-2003

2003-2004

2004-2005

2005-2006

2006-2007

2007-2008

2008-2009

2009-2010

2010-2011

2011-2012

2012-2013

2013-2014

2014-2015

2015-2016

2016-2017

2017-2018

2018-2019

2019-2020

2020-2021

2021-2022

2022-2023

2023-2024

2024-2025

2025-2026
Dos recordes de alta aos recordes de baixa
De 1979 a 2014, o total de gelo marinho antártico aumentou cerca de 1% por década. Não se sabe ao certo se o aumento foi um sinal de mudança significativa, porque a extensão do gelo varia consideravelmente de um ano para outro ao redor da Antártica. Durante três anos consecutivos, de 2012 a 2014, os satélites observaram novos recordes de extensão do gelo marinho no inverno. Esses recordes ocorreram enquanto o gelo do Ártico estava em forte declínio.
O crescimento chegou ao fim em 2015, e reduções significativas no gelo marinho ao redor da Antártica começaram a ocorrer em 2016. Desde então, houve anos com pequenas recuperações, mas, de modo geral, a cobertura de gelo marinho antártico permaneceu em grande parte abaixo do normal. Tanto o recorde de menor mínimo quanto o recorde de menor máximo ocorreram em 2023. Os cientistas continuarão observando a região todos os anos para descobrir se o declínio faz parte de uma mudança de longo prazo ou de uma flutuação estatística.

Enxergando através das nuvens
Para determinar a extensão do gelo marinho, os cientistas dependem de satélites com sensores de micro-ondas passivos, que medem a energia de micro-ondas emitida naturalmente pela Terra. O gelo marinho emite mais dessa energia do que as águas abertas, por isso se destaca nas imagens de micro-ondas. Como as micro-ondas atravessam as nuvens, os satélites podem observar o gelo marinho regularmente, independentemente das condições meteorológicas.
O registro começou no fim de 1978, com dados coletados pelo Nimbus-7, da NASA, seguido pelos satélites do Defense Meteorological Satellite Program (DMSP), a partir de 1987, e pelo satélite Aqua, da NASA, entre 2002 e 2011. Em 2025, os cientistas começaram a usar observações do satélite GCOM-W, da Japan Aerospace Exploration Agency.
Imagens do NASA Earth Observatory por Michala Garrison, usando dados do National Snow and Ice Data Center.