Quando empresas começaram a procurar o Langley Research Center da NASA, pedindo para serem incluídas no In-Space Servicing, Assembly, and Manufacturing (ISAM) State of Play para ter acesso a informações competitivas, a equipe percebeu que havia chegado a um ponto de inflexão.
“Algumas empresas, que preferiram não se identificar, perguntaram se tínhamos informações proprietárias”, conta Dale Arney, líder sênior da equipe do ISAM Technology Portfolio no Langley Research Center da NASA. A resposta é “não”, mas é justamente essa imparcialidade que torna o State of Play tão valioso para um setor que busca compreender um campo em rápida expansão.

Publicado desde 2021, o documento de 2026 cresceu e chegou a 368 páginas, que registram as capacidades atuais de ISAM em 11 áreas funcionais, da manipulação robótica ao reabastecimento e à montagem de estruturas. O documento funciona tanto como uma enciclopédia quanto como um roteiro para as tecnologias que permitirão fazer a manutenção, a montagem e a fabricação de naves espaciais em órbita, em vez de lançá-las como sistemas integrados.
“O próprio campo cresceu mais do que linearmente desde que começamos”, explica Arney. O que começou como uma ferramenta para garantir que os centros da NASA compartilhassem um ponto de referência comum tornou-se o principal recurso do setor para entender o que é possível e o que ainda está apenas no campo das ideias.
A equipe do State of Play mantém critérios rigorosos para incluir tecnologias: o hardware precisa existir fisicamente, seja como protótipo em solo ou em demonstração em voo. “Recebemos apresentações em PowerPoint com ideias de tecnologia”, observa Arney. “Não há indicação concreta de que tenham feito algum trabalho na própria tecnologia.” Esses conceitos só são incluídos na análise do ano seguinte.
Esse rigor é importante porque as capacidades de ISAM permitirão missões impossíveis com as abordagens tradicionais de lançamento único. As futuras missões exigirão telescópios maiores do que qualquer carenagem de veículo de lançamento, recursos de segurança nacional persistentes, móveis e resilientes, e sistemas comerciais que possam receber atualizações com as tecnologias mais recentes em órbita, sem precisar ser totalmente substituídos.
O documento é colaborativo por princípio. “Gostamos de dizer que é um tipo de documento colaborativo, construído com contribuições de todos”, afirma o integrante da equipe John Mulvaney. A cada ano, são realizadas mais entrevistas com parceiros do setor para garantir a precisão e a abrangência do material. As contribuições vêm de centros da NASA, incluindo Ames, Glenn, Marshall, Kennedy e Johnson, além de desenvolvedores internacionais que atendem aos critérios de hardware.
O resultado é mais do que uma referência técnica. A edição de 2026 inclui perfis de desenvolvedores e documentação de instalações, oferecendo aos projetistas de missões não apenas informações sobre o que é possível, mas também sobre quem está desenvolvendo essas tecnologias e onde o trabalho é realizado. Para empresas que estão entrando no ecossistema de ISAM ou ampliando suas capacidades, o documento oferece tanto contexto competitivo quanto oportunidades de colaboração.
À medida que o setor espacial avança rumo a missões mais ambiciosas, da infraestrutura lunar à fabricação em órbita, o ISAM State of Play oferece o vocabulário comum e a base de referência de capacidades necessários para ecossistemas emergentes. Não se trata de especulações sobre o futuro, mas de um registro do que existe hoje e dos próximos passos do desenvolvimento de hardware.
O ISAM State of Play de 2026 está disponível para download em NASA.gov
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